Várias mudanças sociais revolucionaram a vida da mulher em boa parte do mundo a partir dos anos 1950. Uma das mais importantes conquistas foi a liberdade. Liberdade conquistada graças ao anticoncepcional. Mas o medicamento que mudou o comportamento das mulheres, também trouxe desafios para a saúde.

Os efeitos colaterais que os anticoncepcionais ocasionam são um grande risco para a população feminina. A estudante universitária, Juliana Bardella, de Botucatu, precisou ser internada às pressas, diagnosticada com trombose venosa cerebral. E a doença estaria relacionada ao uso do contraceptivo oral.

Juliana utilizou a medicação por cinco anos e nunca apresentou nenhuma mudança drástica, além é claro a melhoria na pele e o fluxo menstrual mais ameno. Resultados estes que o anticoncepcional proporciona. Juliana já tinha ouvido histórias de mulheres que tiveram problemas com anticoncepcionais, “mas não eram histórias de pessoas próximas, por isso não havia percebido a gravidade do problema” conta Juliana.

Nos últimos anos o anticoncepcional se tornou um dos principais métodos contraceptivos para evitar a gestação e evitar outros problemas. Grande parcela das mulheres começou a tomar o medicamento sem prescrição médica, ou ainda não era feita uma análise detalhada no histórico da paciente para poder enfim receitar o remédio.

Para o médico Pedro Monteleone, especialista em fertilidade, deve-se estar atento ao utilizar este método, porque há uma aparente relação entre trombose e anticoncepcionais. Afinal as estatísticas mostram que mulheres que utilizam contraceptivos orais têm mais chances de contrair uma trombose. “A incidência de trombose relaciona-se com a diminuição do fluxo sanguíneo venoso, o aumento da coagulabilidade do sangue e redução de componentes anticoagulantes sanguíneos. O risco está relacionado com o período de utilização da medicação, uma vez que a probabilidade de apresentar esse distúrbio cessa após um mês sem o uso do medicamento” esclarece Dr Pedro.

 

Os anticoncepcionais não possuem um tempo limite para seu uso, mas, o médico alega, que para indicar o medicamento o ginecologista deve saber exatamente se a paciente não está dentro dos critérios de riscos para a utilização. É preciso observar certos sintomas. “Dor na panturrilha, falta de ar, dor de cabeça de forte intensidade sem causa aparente e dor no peito são característicos de eventos tromboembólicos. Caso apresente um desses sintomas a paciente deve procurar o pronto socorro mais próximo imediatamente” orienta Dr Pedro.

Juliana Bardella defende: “nós mulheres devemos ser mais exigentes antes de tomarmos tal medicação, para que exames sanguíneos específicos sejam realizados. Devemos cobrar dos médicos que avaliem os riscos, e, se após isso, o método for indicado, que a saúde seja acompanhada atentamente. Nenhum sintoma pode ser desprezado, pois trombose é uma doença perigosa e pode ser fatal”.